a virou-se e fugiu.
Mergulhou através das cozinhas e da despensa, cega de
pânico, serpenteando entre cozinheiros e aprendizes. Uma
ajudante de padeiro surgiu na sua frente, segurando um
tabuleiro de madeira. Arya atirou-o ao chão, espalhando por
todo o lado cheirosos pães frescos. Ouviu gritos atrás de si
enquanto rodopiava em torno de um corpulento carniceiro
que ficou a olhá-la de boca aberta com um cutelo na mão.
Tinha os braços vermelhos até o cotovelo.
Tudo o que Syrio Forel lhe ensinara passou-lhe num ápice
pela cabeça. Lige ira como uma corça. Si lenciosa
como uma sombra. O medo golpeia mais
profundamente que as espadas. Forte como um
urso. Feroz como um glutão. O medo golpe ia mais
profundamente que as espadas. O homem que
teme perder já perdeu. O medo golpeia mais
profundamente que as espadas. O medo golpeia
mais profundamente que as espadas. O medo
golpeia mais profundamente que as espadas. O
punho da espada de madeira estava escorregadio de suor, e
Arya respirava com força quando chegou à escada da torre.
Por um instante, congelou. Para cima ou para baixo? O
caminho para cima levaria à ponte coberta que atravessava o
pátio pequeno até a Torre da Mão, mas este seria certamente
o trajeto que esperavam que seguisse. Nunca faça o que
e les esperam, dissera Syrio uma vez. Arya desceu, numa
longa espiral, saltando sobre os estreitos degraus de pedra,
dois e três de cada vez. Emergiu numa cavernosa adega
abobadada e viu-se rodeada por barris de cerveja empilhados
até chegar a seis metros de altura. A única luz que ali havia
atravessava estreitas janelas oblíquas, abertas bem alto nas
paredes.
A adega era um beco sem saída. Não havia caminho a não ser
aquele por onde viera. Não se atrevia a voltar e subir aqueles
degraus, mas também não poderia ficar ali. Tinha de
encontrar seu pai e lhe contar o que acontecera, Ele a
protegeria.
Arya enfiou a espada de madeira no cinto e começou a
escalar, saltando de barril em barril até conseguir alcançar
uma janela. Agarrando-se à pedra com as duas mãos, subiu. A
parede tinha quase um metro de espessura, e a janela era um
túnel inclinado para cima e para fora. Arya torceu-se em
direção da luz do dia. Quando a cabeça atingiu o nível do
chão, espreitou a Torre da Mão, do outro lado da muralha.
A robusta porta de madeira pendia, lascada e partida, como
se tivesse sido derrubada por machados. Um homem jazia
morto nos degraus, de barriga para baixo, com a capa
enrolada debaixo do corpo e as costas da cota de malha
ensopadas de vermelho. Arya viu com terror que a capa do
cadáver era de lã cinza, debruada de cetim branco. Não
conseguia ver quem ele era.
- Não - sussurrou. O que estava acontecendo? Onde estava
seu pai? Por que os homens de manto vermelho tinham ido
buscá-la? Lembrou-se do que dissera o homem da barba
amarela no dia em que encontrara os monstros. Se uma
Mão pode morrer , por que não uma segunda?
Sentiu lágrimas nos olhos. Prendeu a respiração para escutar.
Ouviu os sons de luta, berros, gritos, o clangor do aço batendo
em aço, atravessando as janelas da Torre da Mão.
Não podia regressar. Seu pai...
Arya fechou os olhos. Durante um instante, ficou assustada
demais para se mover, Tinham matado Jory, Wyl e Heward,
e aquele guarda no degrau, quem quer que ele fosse, Podiam
também matar seu pai, e ela, se a apanhassem.
- O medo golpeia mais profundamente que as
espadas - disse em voz alta, mas de nada servia fingir que
era uma dançarina de água; Syrio fora um dançarino de água
e àquela altura era provável que o cavaleiro branco o tivesse
matado, e de qualquer forma ela era apenas uma garotinha
com um pedaço de pau, só e assustada.
Escalou até o pátio, olhando em volta com cuidado enquanto
se punha em pé, O castelo parecia deserto, A Fortaleza
Vermelha nunca f icava deserta. Todo mundo devia estar
escondido atrás de portas trancadas. Arya deu uma espiada
ansiosa à janela do seu quarto e depois afastou--se da Torre
da Mão, mantendo-se junto ao muro enquanto deslizava de
sombra em sombra. Fez de conta que estava à caça de gatos...
exceto que agora ela era o gato, e, se fosse apanhada, a
matariam.
Movimentando-se entre os edifícios e por cima de muros,
mantendo-se encostada às paredes sempre que possível para
que ninguém fosse capaz de surpreendê-la, Arya chegou aos
estábulos quase sem incidentes. Uma dúzia de homens de
manto dourado protegidos por armaduras e cota de malha
passou por ela correndo, enquanto avançava com cuidado
pela muralha interior, mas, como não sabia de que lado eles
estavam, agachou-se nas sombras e os deixou passar.
Hullen, que fora mestre dos cavalos em Winterfell desde que
Arya conseguia recordar, estava esparramado no chão junto à
porta dos estábulos. Fora apunhalado tantas vezes que sua
túnica parecia ter um padrão de flores escarlates. Arya tinha
certeza de que ele estava morto, mas quando se aproximou
seus olhos se abriram.
- Arya Debaixo dos Pés - ele sussurrou. - Tem... prevenir o...
senhor seu pai... - uma espumosa saliva vermelha saiu d